Mountain Do: é nóis!

Correr é um negócio que parece a coisa mais besta do mundo. Parece que não acontece nada. Mas um mês, dois meses… E voilà, o resultado aparece: não é que aos trancos e barrancos consegui terminar uma corrida de montanha de 18K? Nem acredito.

Os treinos não foram dos melhores: só rodagens para não perder o bonde. Bateu aquele medão quando cheguei em Campos. A delícia é que comemorava 13 anos de casados em pleno processo de “recasamento”. Então, a noite que antecedeu a corrida viu muito chocolate rolar embaixo da ponte… Afe maria! Esse foi o único “estresse”, hohoho. Pegar o kit foi rápido, seguro e indolor: barrinhas e géis, mochila que chegou em boa hora, boné, camisetinha adidas de tamanho P enorme. Na chegada, toalhinha, medalhão para quem terminou.

O diretor da prova foi logo avisando: são 18K minha gente, tem muita subida e descida, deixem para correr após os 13K. Ui, pensei. Bem, não pensei muito: os primeiros 3K de asfalto cobraram bonito minha irresponsabilidade chocolatar. Barriga mega pesada, mas vamo que vamo. E fui. Ufa, depois de muito andar num calorão dos infernos, chegamos no matinho. E que matinho, que vista. Lá pelas tantas, avistamos a Pedra do Baú que ja vi de tantos ângulos mas que ainda surpreende. Um dia subo nessa marvada.

Falando em subir, comecei a correr “mesmo” na descida e… Desce, desce, desce. Opa, achei meu coelho. Um cara alto, não muito magro, mas de pace assustadoramente regular: corria até mesmo as subidas. É com esse que vou! E fui, aos trancos mas fui. Houve momentos em que fiquei bem brava: vai mais rápido homem, em muitos trechos tive de andar rápido enquanto o coelho ia ao longe, correndo inexoravelmente. Maldito! A lição do dia: uma boa corrida de montanha nada mais é que pura administração.

E lá pelos 10K, enquanto o coelho seguia hidratado, quebrei. Opa, cadê o gelzinho? Bendito! Pena que peguei logo o de sabor… Chocolate! Queria tudo nessa vida, menos chocolate. Engoli seco e fui embora, tentando alcançar o coelho. Bem, tentanto não perder de vista. Aos 14K, uma surpresa: pessoa masculina do staff fumando. Respirei não tão fundo e prossegui. Opa, 15, 16, asfalto. E aquela senhora que ultrapassei no matinho fechado passou por mim como um torpedo. Certamente concluiu a prova em menos de 1h50. Há. Opa, 1h54 de prova, já?

Será que dá para fazer em menos de 2h? Estratégia um tanto quanto impertinente posto que o objetivo inicial era terminar em 2h15. estratégia: se jogar na descida! Alcancei o coelho e me desliguei completante, pensando “apenas” em chegar rápido. Ai, falta muito? Opa, olha a linha, vai, vai dar! Deu: segundo meu relógio, este corpinho gordo cruzou a linha de chegada em menos de 2h, para ser mais precisa aos 1h59’10”.

Será que o diretor da prova anotou bem? Pois é, os tempos foram na base da pranchetinha: os chips deram pau. E o caminho toda aquela coisa chata de passar pelos PC’s e mostrar número, tecetera, tecetera, tecetera. Mas valeu e muito a pena. No final da prova, tinha mesinha farta de frutas, água, isotônico. Só faltaram os mucambos de torso musculoso e bronzeado no final. Um torrone talvez. Mas tudo bem, estava feliz e fui pro hotel pegar uma hidro (chique benhê!). Já relaxando, meu marido avisa que provavelmente fiquei entre as 10 primeiras.

Como assim? Ele que ainda estava vestido, correu pra premiação. Vai que né? E o celular toca uns minutos depois: corre, tu pegou 3º na tua categoria! Não sei como, sai correndo. Não deu tempo de pegar o pódio, mas fiz questão do “trofeuzão” para ofertá-lo ao maridão em nossa data querida. Chique benhê: tudo isso em Campos do Jordão, uma grande cidadezinha pequena cuja população cresce 10 vezes durante a alta temporada. Socorro!

Felizmente não foi o caso. No dia seguinte, a cidade estava ensolarada e com pouca gente. Deu até para andar de bike, comer e tomar mais (mais, mais, mais) chocolate, fazer mais fotinhas, namorar cachorros lindos pela rua, beijar as flores, curtir as bolhas no pé, duas unhas caídas por causa do tênis duro demais. Ah, ma-rr-avilha! Ou seja, contra a depressão e todos os outros problemas da vida, sair correndo sempre. Pode parecer besteira, mas não. Problemas todo mundo tem, a diferença está em como encará-los, dia após dia.

E esse post de retomada dedico às queridas Elis e a Suzane, por suas palavras de apoio. E a meu amigo Eduardo, que está longe mas não esqueço.

É nóis queiroz!

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