5 perguntas sobre autocuidado de mãe para filha

Ensinar sobre o autocuidado. Uma das tarefas mais prazerosas e desafiadoras da maternidade é compartilhar com as crianças aquilo que vamos aprendendo pelo caminho sobre o assunto. Semana passada por exemplo tive a oportunidade de dizer para minha filha o quanto ela me ensina, o quanto fomos descobrindo juntas. É preciso muito cuidado e delicadeza nesses momentos afinal o que as meninas aprendem serão os tijolinhos das mulheres de amanhã.

Para mim não há responsabilidade maior, por isso tenho me esforçado bastante para compartilhar com minha filha o que isso significa quando o assunto é autocuidado. A primeira coisa que conversamos sobre isso foi sobre a necessidade de priorizar a si mesma porque sim. Foi muito bonito quando ela percebeu que antes de me agradar, precisa viver suas escolhas, de acordo com sua idade.

Dessa maneira a gente evita um discurso que muito me incomoda: é preciso se cuidar para cuidar dos outros. Parece que a gente deve se cuidar para estar disponível, para mais uma vez servir aos interesses de outras pessoas. Por causa disso sempre digo que um dos meus maiores objetivos é ensinar minha filha a me dizer não. Assim ela poderá dizer não para qualquer pessoa.

Tudo isso me faz imaginar quais serão as próximas conversas.

O que é autocuidado para você?

A segunda coisa que gostaria de dizer para minha filha se pudesse fazer uma viagem no tempo seria perguntar o que é autocuidado. Hoje ela adora ficar no seu quarto, desenhando. Ou aprendendo uma linguagem nova. Penteando seus cabelos e arrumando seus looks. Fico realmente emocionada por conseguir proporcionar esses momentos. Com muito cautela porque a coisa facilmente acaba em auto indulgência. Nesse caso um batom, coisa que não é para essa idade.

Como e com quem você passa seu tempo livre?

Gostaria de saber o que a minha filha vai gostar de fazer no futuro. Será que ainda vai se emocionar com uma palavra nova? Será que vai aprender a andar de bicicleta? Como mãe tento criar algumas possibilidades ainda que nem sempre consiga tudo aquilo que gostaria de fazer. Ser uma mãe bipolar não é fácil. Nem sempre estamos disponíveis e em grande parte do tempo a gente não sabe se está se isolando ou preservando nosso espaço.

É por isso que me esforço sempre para verbalizar o quanto ela é amada, ainda que não saiba como expressar esse sentimento. Vou tentando nas pequenas coisas. Errando muito sim, mas cheia de esperança. O mundo é todo seu. Espero que sua vida seja tão feliz como cada brincadeira de criança.

Você jogou a balança fora?

Além disso, espero que minha filha não tenha nenhum relacionamento com a balança. Desde que minha família se dirigiu às grandes cidades temos sofrido com transtornos alimentares de toda ordem. Desde bulimia nervosa até compulsão alimentar, fazendo com que a gente se sinta refém da balança. E não estou sendo literal. Penso muito mais na cobrança sobre ser magra que a gente sempre ouviu tanto que acabou “acreditando”.

A tal ponto que há quem pense que calculo a quantidade de comida que minha filha come, para que ela não engorde. Na realidade acontece justamente o contrário, o que é bem bizarro. Por muito tempo me senti culpada pelo peso que ela tem. Até compreender que ela simplesmente é assim, da mesma maneira que eu (e todo mundo do meu lado da família) era quando tinha sua idade. Se isso vai mudar, não me interesso realmente. O meu único desejo é que seu peso não seja uma questão relevante.

Você ainda expressa seus sentimentos livremente?

Assim como mãe preciso aprender a ouvir e estimular a expressão dos seus sentimentos. Não é tarefa fácil. A gente aprende que ser mãe é correr para o bercinho ao primeiro sinal de choro. E se não fizemos assim somos desnaturadas. E conforme as crianças crescem, a gente vai perdendo a paciência mesmo. Porque tudo é descoberta.

Um exercício que recomendo para lidar com as emoções que suas palavras como mãe causam é trocar por um dia de papéis por exemplo. E justamente por isso uma coisa bem difícil. Lembro de minha filha dizendo que não ia me explicar algo porque eu não “tinha idade” para entender. Fiquei muito frustrada em perceber como podemos ser violentas apenas por sermos “mais velhas” e como isso nos desencoraja de nos expressar livremente.

Quais são suas melhores lembranças de amanhã sobre autocuidado?

A coisa boa é que uma criança que nos diz não, acaba dizendo qualquer coisa. Até que estamos sendo injustas. Haja coração! E muita memória para lembrar depois. É muito comum que a gente converse sobre as coisas passadas, as amadas coleguinhas que foram esquecidas, a mania de fazer as coisas com os pés que resiste até hoje. Ser mãe também é estar presente para lembrar o que passou. Rir sobre as coisas engraçadas.

Ficar chocada e feliz pelo fato de não ter ganhado o primeiro dentinho que caiu. É ficar na torcida para que sua filha construa lindas e autênticas lembranças de um amanhã que ainda não chegou. Isso também é autocuidado.

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Imagem: Pexel e Giphy

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